quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

CONFLITO ISRAEL/PALESTIANO SEM SOLUÇÃO À VISTA


Por: Belarmino Van-Dúnem

A escalada e intensificação da violência na região de Gaza começa a incomodar tudo e todos. Neste momento já não se sabe bem qual é o objectivo de um e do outro contendor. No início Israel anunciou que pretendia desarmar o Hamas, tendo acusado esse grupo de ser o mentor do rapto e posterior assassinato dos três jovens israelitas no dia 12 de junho do corrente ano.
 O Hamas, por seu lado, também aproveitou o início do conflito para reclamar o levantamento do isolamento que Israel impôs a região sob seu controle desde 2012. Teria mais lógica reclamar apenas o direito de legítima defesa, tendo em atenção o facto do acordo em que o Hamas e a OLP formaram um governo de reconciliação, sob liderança da Fatah. O governo de reconciliação nacional não chegou a tomar posse.
Face a situação há necessidade de se fazer um conjunto de perspetivas para se avaliar as consequências futuras:

1.      Israel pretende desarmar o Hamas, mas a forma como está a proceder cria mais inimigos do que simpatizantes para a causa israelita; a maior parte das vítimas no conflito são civis, cerca de 1260 palestinianos e 55 israelitas já perderam a vida.

2.      Nenhum palestiniano compreenderá os bombardeamentos contra os hospitais ou mesmo nos edifícios sob o controle da ONU em Gaza. O isolamento da região criou condições para que Hamas construísse mais tuneis e reorganizasse o seu sistema de defesa cujos aliados estão fora do território palestiniano;

3.      Nesse conflito há uma irracionalidade que pode valer ao Estado israelita o surgimento de opositores mais radicais, sem localização exata e com disposição para tudo;

4.      O Hamas, por seu lado, deveria encontrar uma estratégia que permita ao grupo apresentar-se como interlocutor válido para o alcance de um acordo de paz com termos de longo prazo e que levasse a criação de um Estado palestiniano assim como a recuperação da maioria dos territórios conquistado por Israel despois da guerra do seis dias em 1947 e nos anos subsequentes.

5.      Não faz sentido incentivar a população a embarcar nesse homicídio colectivo porque no fim não haverá vencidos nem vencedores uma que as causas do conflito continuaram intactas e novos militantes palestinianos e não só irão integrar as fileiras do Hamas.
A comunidade internacional está completamente no descrédito e, mais uma vez o sistema internacional manifesta o seu desajuste e incapacidade face a instabilidade que graça pelo mundo. Há medidas para alguns casos, enquanto para outros existe uma clara incapacidade para resolução.
Até a data nem a Assembleia-geral da ONU, muito menos o Conselho de Segurança conseguiram aprovar qualquer tipo de sanções contra Israel. O Secretário-geral Ban Ki-moon tem-se desdobrado em apelos, pedidos e até implora que as duas partes terminem com os combates, mas a sua função seria a de orientar, ordenar e impor através dos meios da ONU um cessar-fogo imediato e o início de negociações.
Os EUA e a União Europeia também estão impotentes tendo em conta as alianças que têm com Israel, alias as pequenas críticas feitas por John Kerry foram recebidas em Israel com críticas violentas, facto que obrigou a administração Obama a solicitar um pedido de desculpas por parte de Israel, até a data não houve desculpas, mas a estratégia ressoltou porque os EUA já não têm pressionado como no início.
A Turquia, o Qatar e o Egipto estariam em posição privilegiada para convencer o Hamas a declarar um cessar-fogo imediato, mas também dependem da proactividade dos EUA. Enquanto isso os civis de um lado e de outro vão vivendo atormentados e nunca se sabe quem será a próxima vitima e qual será a forma como irá morrer.
No final da história Israel não terá outra saída se não ocupar militarmente a Faixa de Gaza ou então o território irá se transformar num espaço privilegiado de grupos radicais, tal como acontece na maior parte dos territórios sem uma ordem institucional. O Hamas por seu lado corre o risco de ir para as negociações mais fragilizado uma vez que, apesar dos danos contra alvos civis injustificáveis, não deixa de ser verdade que os Tuneis do Negócio, como são chamados, estão a ser destruídos e o sistema de defesa antimíssil Iron Dome ou Cúpula de Ferro de Israel está a minimizar de forma significativa as vítimas em Israel. Há necessidade de se encontrar uma paz duradoira e definitiva que dê direitos aos dois povos viverem em segurança. 

                 

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